sexta-feira, 29 de março de 2013

CAIO FERNANDO ABREU é puro amor no palco do Mini-Auditório do Teatro Guaíra...


Um dia, num debate depois da apresentação de “O Evangelho Segundo São Mateus”, acho que no Espírito Santo, a Regina Bastos disse que eu estava de bem com a vida quando escrevi esse texto. Que era meu lado iluminado. E eu fiquei muito orgulhoso. Estávamos viajando pelo Brasil e eu carregava embaixo do braço uma coletânea de “Pequenas Epifanias” do Caio Fernando Abreu. Tinha que escrever um texto para um monólogo interpretado pelo meu amigo e “puta ator” Marcio Meneghell. Não queria adaptar um conto, não queria reafirmar a persona desgraçadamente sofrida e underground do Caio. Sei lá o que queria! Mas aquelas crônicas, lidas e relidas, iam grudando na minha pele e sem perceber eu ia respirando o cara. Tinha dias que falava coisas pelas palavras dele, que argumentava sobre a vida usando o Caio sem sequer pedir permissão. E foi tanto Caio Fernando Abreu dia a dia, que quando sentei pra escrever “O Homem Que Acreditava”, tudo fluiu de uma maneira que até me assustou! Juro, é um texto de puro amor! Não é só uma homenagem a esse escritor mítico e que exaltou a paixão e a entrega ao outro; mas um ato de amor incontrolável! E é aí que eu volto ao que a Regina disse no debate em Vitória. Caio me deixou de bem com a vida e com as palavras. E por isso eu amo tanto este espetáculo que ensaiei com o Marcio e que ele foi inventando, como ator, cuidadosamente, numa elaboração de personagem que mais pareceu espiritismo! E é tão gratificante servir de ponte entre um artista tão intenso como Caio Fernando Abreu e uma plateia que pede atos de amor no palco. O Marcio é tão danado que tem a medida certa deste amor. E aqui e ali acrescenta o medo, a fúria, a indignação, a dor e a paixão. E então que nasce uma das minhas peças mais emocionantes, porque ao dirigi-la deixei que o Caio falasse por si só e que o Marcio fizesse o mesmo. Hoje “O Homem Que Acreditava”estreia no Festival de Curitiba, às 21 horas no Mini Auditório. Que orgulho tenho de tudo isso! Tenho a mais profunda certeza de que o público que lá estiver, vai viver uma noite de paixão e emoção e vai sair do teatro correndo pra ler tudo que puder desse extraordinário ser humano que foi Caio Fernando Abreu! Vamos ao teatro mais e mais e mais e mais...!

SPRING...

Poster que vale a pena postar...


CELSO CURY, NEW YORK, LUCIA, FESTIVAL, O TEMPO, ETC…

Celso Cury

Ontem à noite no hall de entrada do Teatro da Reitoria, esperando pra assistir “A Marca da Água”, do Armazém, encontrei, ou melhor, fui encontrado, pelo Celso Cury. Quem é o Celso Cury? Um homem de todos os teatros. Um homem a quem o teatro brasileiro deve tanto e, principalmente, o de São Paulo. Muito da nossa cena passou e passa pelas suas mãos e pelos seus olhos. Ele continua o mesmo, mais maduro, como eu, mas vivo e belo com seus olhos de paz e arte. Ele me reconheceu depois de tantos anos. Nos conhecemos pelos caminhos da Lucia Camargo, em 1990, quando eu dirigi “New York Por Will Eisner”, para o Teatro Guaíra e ele nos ajudou a levar o espetáculo ao Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, para uma temporada de 10 dias seguidos. Éramos uns sedentos de teatro! Em nosso abraço, eu soltei "você ainda me reconhece?" E aí que ele disse uma frase que me arrepiou, daquelas que definem um jeito de pensar a vida, aconteça o que acontecer, e acontece: “Eu só tenho lembranças boas!” Que bom! Em 1991, como nosso sonho de mostrar “New York Por Will Eisner” para São Paulo, ele nos deu uma força incrível. Não teríamos ido se não fosse sua amizade e ação. Fomos com grande dificuldade (os tempos eram outros!), mas tivemos um excelente público naquele teatro imenso de 900 lugares! E, encontrando também a Lúcia Camargo, o tempo fez um rodopio e, célere e violento, pousou, irônico e engraçado à minha frente. Cá estamos todos nós, pensei, vibrando ainda pelo teatro, sonhando ainda com os sonhos dos artistas e buscando encantos e belas ideias nos palcos. O teatro é a nossa vida, disso não há a menor dúvida. E digo mais, é o que nos faz ter a certeza de que tudo quanto fazemos, fizemos e faremos não é em vão. É mais ou menos como quando nos apaixonamos por alguém. Não importa se é um bom ou um mal ator, por exemplo (se for!)... Simplesmente nos apaixonamos. E o teatro é desse jeito. Desde 1990 até aqui, quanta coisa excepcional vimos e fizemos, quanta coisa equivocada, quanta coisa boba, quanta coisa linda, quanta coisa estranha....Mas é o nosso teatro, não? O sangue que corre, bipolar, em nossas veias. Enfim... o Festival de Curitiba tem também essa virtude, fazer com que pensemos loucamente em nossa história. Eu costumo dizer que durante os 10 dias do Festival, os curitibanos (artistas e público) assumem três máscaras: a falsidade, a simpatia e a hipocrisia. Fazemos de conta que tudo é genial, queremos que todos pensem que nossa capital é o reino da cortesia, então que aplaudimos em pé qualquer espetáculo que venha de fora e hipócritas porque derramamos elogios fáceis sem sequer pensar mesmo se aquela é nossa opinião e se realmente precisamos dá-la. Mas isso é um festival, não? O momento em que entre dramas e comédias, o teatro é a grande festa em que, mesmo nas coxias somos reis e rainhas. E é também o momento de reencontrar pessoas que foram importantíssimas em nossa carreira. E olha aí eu voltando ao Celso Cury. Obrigado, amigo! E que bom encontrá-lo ontem! Um beijão! E mais uma vez, obrigado!

O meu "New York Por Will Eisner", que levamos ao Teatro Sérgio Cardoso em 1991

GÊNIOS & IMBECIS

Foto de Chico Nogueira

“O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda.” – Nelson Rodrigues

Hoje, às 21 horas e amanhã, às 12 horas são as últimas apresentações de “CANALHAS!!!”, no Mini-Auditório do Teatro Guaíra. O universo do artista/pensador/dramaturgo num concerto de ironias e tragédias. Ontem o espetáculo foi emocionante!!!

Foto de Chico Nogueira

quinta-feira, 28 de março de 2013

OLHA NÓS ALI + UM BAIANO


Coquetel de abertura da Mostra Baiana do Fringe no Memorial de Curitiba: Marcelo Zulian, Renata Chemin, Edson Bueno... o baiano "puta de um ator" Talis Castro e o xodó Lucas Ribas. 

CARTAZ INTELIGENTE!!!

Poster que vale a pena postar! Novo filme com Juliane Moore!


UMA PIAZADA BOA DEMAIS!

Fernando Turri, Adriana Fróes e Igor Augustho... ótimos!

Quinta-feira, duas horas da tarde, Teatro. Só no Festival de Curitiba mesmo! E fui ao Café Teatro Toucher La Lune pela primeira vez. Assistir “Peripécias – Histórias para Crianças nem um pouco Inocentes”- Em primeiro lugar, uma beleza o teatro. Delicado, charmoso, com um café lindo na entrada, onde tocava Chico Buarque num toca-discos e um LP rodando. Uma delícia. E o espetáculo? Ah, que bom! Eu penso que o começo de tudo é o conhecimento de causa. Dois piás e uma guria, novinhos, intensos e talentosos. Fazendo teatro com as suas inquietações e com a sua poesia muito própria, conhecidíssima por eles mesmos e que pulsa, na boa, em cada pedaço dos seus corpos. Organicidade pura! E mais ainda, sai pela boca com voz firme, presente, artística e, realmente, cênica! O assunto? O título diz tudo! São as crianças e os adolescentes peitando a vida com suas lógicas muito próprias e suas soluções, às vezes tortas, às vezes certeiras, às vezes fantasiosas. E o que impressiona neste suave espetáculo é a absoluta sinceridade de tudo! É lindo ver aqueles três meninos (Adriana Fróes, Igor Augustho e Fernando Turri), muito artistas de teatro e tão jovens, de peito aberto, dizendo o que têm vontade de dizer e, de verdade, fazendo teatro de reflexão, teatro que quer dizer coisas (e diz!), tudo com muita inocência, humor e inteligência. O texto é uma joia poética. Tem um fechamento emocionante que vai em lugar de excelente dramaturgia. Uau! E ainda mais duas coisas importantes! Direção calma, suave e consciente de ritmo e tonalidade da Éri Buhrer, além de uma sonoplastia perfeita! Que delícia! Como me fez bem ter ido ao Touché La Lune neste começo de tarde! Parabéns! São e serão grandes teatreiros!